A
DIVINA LITURGIA
MISSA.
A Santa e Divina Liturgia, também chamada de Missa, é o memorial perpétuo da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Missa é SACRIFICIO e BANQUETE não Banquete, festa. Ela é composta de duas partes essenciais, que são a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, e essas são inseparáveis! Para que seus efeitos sejam aproveitados, é necessário que haja uma preparação prévia tanto por parte daqueles que organizam suas devidas partes litúrgicas, quanto dos demais que participam como fiéis.
Entendendo
que a Missa é essa celebração do Mistério Pascal de Cristo, é o próprio Jesus
quem nos convida a vivenciarmos tão grande mistério: “Em verdade, em verdade
vos digo: se não comerdes a Carne do Filho de homem e não beberdes o seu
Sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6,53). Sabendo o quão importante é a
Eucaristia, o apóstolo Paulo nos orienta a não participarmos da Santa
Missa de qualquer forma, mas antes nos prepararmos bem. O apóstolo nos diz:
“Examine-se cada um a si mesmo e, assim, coma o pão e beba do cálice, pois quem
come e bebe sem distinguir devidamente o corpo, come e bebe sua própria
condenação” (1Cor 11,28-29). A palavra «Liturgia» significa trabalho do povo,
ofício popular ou função. A liturgia nos revela a verdadeira relação entre a
pessoa e a comunidade, entre o membro e o corpo: «Ama a teu próximo como a ti
mesmo». Nos ofícios litúrgicos esta frase se torna relevante e nos ajuda a nos
desprender de nós mesmos. Junto ao nosso destino estão os destinos de todos
homens. As litanias, como enormes ondas, arrastam o fiel para além de si mesmo;
não é só uma oração, é a nossa oração, é o canto da comunidade pela vida e pela
salvação do mundo.
A Divina Liturgia, propriamente dita, representa as três passagens da
economia da salvação. A primeira parte, a Proskomidia, mostra o laço messiânico
entre a Pré-história e a História; a segunda parte, a Liturgia dos Catecúmenos,
representa em seu conjunto a obra salvadora de Cristo; a terceira parte, a
Liturgia dos Fiéis, representa a Paixão, a Morte, a Ressurreição, a Ascensão, a
Parusia e o Reino de Cristo. Assim, como disse Teodoro de Andina, a «Liturgia é
o resumo e a recapitulação do mistério da economia da salvação».
A Liturgia é um mistério que celebra tendo como cenário o sagrado templo
(a igreja) em conjunto com os fiéis. É um drama dialogado e dirigido pelo
sacerdote, assistido pelo diácono e pelo coro dos fiéis.
Neste «serviço público» ou, nesta «causa comum», o povo apresenta sua
oferenda a Deus e Deus o abençoa com sua graça e sua presença. As portas do
iconostasio são os marcos divisores entre o que é terreno e o que é celeste.
Permanecendo entre o santuário e a nave da igreja, o diácono (anjo-mensageiro),
anuncia o que acontece no interior do santuário, entoa o diálogo litúrgico,
guia as orações da assembléia e orienta as posturas dos fiéis no interior da
nave.
A Divina Liturgia é também, e sobre tudo, uma participação, uma comunhão
de toda a assembléia que celebra a morte, a sepultura, a ressurreição ao
terceiro dia, a Ascensão aos céus, o sentar-se à direita do Pai e a celebração
da segunda e gloriosa vinda de Cristo. A divina Liturgia é a celebração da
salvação do homens de todos os tempos. Cristo, na Eucaristia se faz presente e
se dá a nós em comunhão. É durante a Liturgia que se manifesta o que Cristo
fez, faz e o que fará por nós; é o momento em que nos encontramos com o próprio
Deus; é na Liturgia que, ao comungarmos, nos encontramos e comungamos a mesma
realidade com nossos irmãos; é donde recebemos o Corpo e o Sangue do Cristo
ressuscitado.
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Os israelitas tinham o costume de celebrar o «berakoth» ou as «bênçãos»,
onde davam graças a Deus pelos dons recebidos. A palavra «eukharistia»
significa ação de graças rendidas a Deus pelos dons que Ele nos oferece. É, com
efeito, por esta ação de graças «eucaristia» permanente que o homem reconhece a
obra do Criador, manifestando seu agradecimento em nome da Criação inteira e
re-envia a sua glória - «anapempo» = devolver, voltar a enviar). É por meio da
Eucaristia, por esta ação de graças, que o homem, sendo a consciência de toda a
Criação, reconhece a ligação que une Criação com o Criador e mantém, por esta celebração
de ação de graças, a corrente de amor entre Deus e toda sua Criação e, ao mesmo
tempo, mantém a harmonia do Universo.
Na noite de Quinta-feira Santa, nosso Senhor Jesus Cristo celebrou uma
«berakoth» ou seja, «Benção», ceando com seus discípulos. Como narra o
Evangelista Lucas: - «Quando chegou a hora, Jesus se pôs à mesa com os
apóstolos. E disse: 'Desejei muito comer com vocês esta ceia pascal, antes de
sofrer. Pois eu lhes digo: nunca mais a comerei até que ela se realize no Reino
de Deus'. Então, Jesus tomou o cálice, agradeceu a Deus e disse: 'Tomem isto, e
repartam entre vocês; pois eu lhes digo que nunca mais beberei do fruto da
videira, até que venha o Reino de Deus'. A seguir, Jesus tomou um pão,
agradeceu a Deus, o partiu e distribuiu a eles, dizendo: 'Isto é o meu corpo,
que é dado por vocês. Façam isto em memória de mim'. Depois da ceia, Jesus fez
o mesmo com o cálice, dizendo: 'Este cálice é a nova aliança do meu sangue, que
é derramado por vocês'» (Lc 22, 14-20).
Esta passagem faz referência ao ritual judeu de bênção de uma comida,
como é descrita no Mishna: «no início da refeição, se benze um cálice de vinho,
dizendo: 'Bendito és Senhor Deus nosso, Rei dos séculos, que nos dás o fruto da
videira'». É por isso que Jesus tomou primeiro um cálice de vinho, antes da
comida e disse: «Tomem e repartam entre vocês, pois lhes digo, que já não
bebereis do fruto da videira, antes que chegue o reino de Deus».
No Ritual judeu, depois desta primeira benção, o membro mais jovem da
família, ou um servo, traz um bandeja com água para lavar as mãos do chefe da
família. Na Última Ceia, quem fez isto foi São João, o mais jovem dos
apóstolos; Jesus não quis que lavasse suas mãos, antes, Ele mesmo lavou os pés
dos seus discípulos. «Durante a ceia, o diabo já tinha posto no coração de
Judas Iscariotes, filho de Simão, o projeto de trair Jesus. Jesus sabia que o
Pai tinha colocado tudo em suas mãos. Sabia também que tinha saído de junto de
Deus e que estava voltando para Deus. Então, se levantou da mesa, tirou o
manto, tomou uma toalha e amarrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou
a lavar os pés dos discípulos, enxugando com a toalha que tinha na cintura» (Jo
13, 2-5).
Depois, o chefe da família, tomando o pão, o partia dizendo: «Bendito
sejas, Senhor Deus nosso, Rei dos séculos, que produzes o pão da terra… Damos
graças a nosso Deus que nos alimenta em abundância». Jesus «tomou o pão e,
havendo dado graças, o partiu e deu a seus discípulos dizendo: 'isto é o meu
corpo que por vós é dado. Fazei isto em minha memória'» (Lc 22,19).
As missas podem ser celebradas em vários Ritos.
Nesta paroquia o celebramos no Rito Bizantino e Liturgia de São
João Crisóstomo.
Jesus repetiu o gesto tradicional do chefe da família judia, dando,
porém, um sentido completamente novo, identificando o pão com seu próprio Corpo
que foi entregue à Cruz pela vida do mundo.
Depois da comida o chefe da família toma novamente o cálice com vinho e
o abençoa. Jesus também assim o fez: «Do mesmo modo, depois de ter ceado, tomou
o cálice e disse: 'este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que por vós se
derrama'» (Lc 22,20).
Assim se explica as duas bênçãos do cálice que só São Lucas conservou em
seu Evangelho. Jesus deu um sentido novo, identificando o vinho com seu Sangue
que foi derramado no dia seguinte na cruz. Este Sangue foi o selo da Nova
Aliança entre Deus e os homens.
São Paulo completa em sua carta: «Portanto, todas as vezes que vocês
comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até
que Ele venha» (1Cor 11, 26).
A bênção da ceia e a oferenda a Deus do pão e do vinho estavam
associados à oferenda do Corpo e Sangue sobre a Cruz que Cristo fizera na manhã
seguinte. O sacrifício de Cristo, oferecido ao Pai pelo perdão e remissão dos
pecados dos homens de todos os tempos é a perpétua recordação do início da Nova
Aliança entre Deus e seu povo: «Fazei isto em minha memória», «até que ‘Eu’
venha» (Lc 22, 19; 1Cor 11, 26)
Quando celebramos, no Memorial Eucarístico, o que o Senhor nos pediu,
(anamnesis), saímos do tempo para comungar o «gesto eterno» do Filho de Deus
que nos reconduziu ao reino do Pai. É por obra do Espírito Santo que a
celebração eucarística, dada em um determinado tempo, se converte em «comunhão
e participação» eternas , para toda a assembléia, na Eucaristia instituída pelo
Filho de Deus.
A importância da Divina Liturgia está
em que:
Nela se manifesta e participamos de tudo o que Cristo fez, faz e fará
para a salvação da humanidade;
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É na Divina Liturgia que realmente nos encontramos com Cristo Salvador
face-a-face.
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A Divina Liturgia é uma antecipação do Banquete do Reino onde Cristo e
sua esposa, a Igreja, celebrarão suas bodas.
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Na Divina Liturgia comungamos o Corpo e Sangue de Cristo junto com
nossos irmãos, cumprindo o que o Senhor nos pediu: «Que vos ameis uns aos
outros, como vos amei». (Jo 13, 34)
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Nela, ao receber o Corpo e Sangue de Cristo, contemplamos a sua
Ressurreição: «Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o
Senhor que morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. Cristo
morreu e voltou à vida para ser o Senhor dos mortos e dos vivos». (Rm 14,8-9).
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Historicamente a Liturgia se dá em torno da Ceia do Senhor.
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O Apocalipse nos dá a visão do que simultaneamente se passa na terra e
no Céu durante a liturgia:
«Depois disso, eu vi uma grande multidão que ninguém podia contar: gente
de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam todos de pé diante do
trono e diante do Cordeiro. Vestiam vestes brancas e traziam palmas na mão. Em
alta voz, a multidão proclamava: 'A salvação pertence ao nosso Deus, que está
sentado no trono, e ao Cordeiro'. Nessa hora, todos os Anjos que estavam ao
redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres vivos, ajoelharam-se diante do
trono para adorar a Deus. E diziam: 'Amém! O louvor, a glória, a sabedoria, a
ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus, para sempre.
Amém!'» (Ap 7, 9-12)
